29 anos, louco, meio esquizofrênico, oz vive distraí­do e em devaneios.
Imerso no mundo dos quadrinhos, rock e cinema, tem o poder de construir mundos, além de passar a maior parte do tempo inventando estórias fantásticas com teor filosófico, trabalhando e tentando encontrar a si mesmo.

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Monday, September 11, 2006
Zero
*escrito inspirado em "Operation: Mindcrime", do Queensryche.
youtube = veja o vídeo.


O telefone toca. Ela atende. Parece fria e culpada. Um peso.

- Sim, eu sei. Agora? Não, não. Tudo bem. Eu vou fazer. Já disse que sim. Até lá então.

Desliga. Chegou a hora do fim.

O telefone toca. Ele desliga a tv e levanta-se para atender.

- Alô? Sim, sim. Engraçado, tive uma idéia sobre isso. Aham. Pode deixar, eu faço sim!

Desliga. Tenta entender. “Deja-vu, talvez...” Senta-se no computador. Liga o rádio. Começa a escrever. Finalmente, chegou a hora de começar.

- Acorde!

A morena. “Sonhos de novo.”

- É difícil manter você na realidade, hein!

- Desculpe. Tudo bem. Vamos ao que interessa. Feche os olhos. Relaxe.

Ele ouve as instruções. A voz dela vai se esvaindo aos poucos. Escuro. Uma luz. Ele caminha até ela e a atravessa.

Outro lugar. Um escritório. O homem de plástico e o doutor.

- Algo tem que ser feito da sua vida, garoto. Você não tem objetivos.

Tudo pára. A voz da morena:

- Não, não. Vamos voltar mais.

Outra luz. Uma porta.

A loira. Grávida.

- Não sei mais o que fazer.

- Calma, você vai dar um jeito.

- Essa avalanche de pensamentos, essa exaustão... Acho que tô ficando deprimido...

- Você anda bem distante. Porque não vai ao médico?

“Não é uma má idéia.”

O consultório. O doutor.

- Nós fizemos os exames e devo dizer que estou impressionado! Nunca vi uma mente tão rica como a sua!

- Isso é bom ou ruim?

- Não existe isso de bom e ruim. Você só precisa dar um sentido a isso. Olha, pegue esse endereço. Eles podem te arranjar um trabalho onde sua mente será de muita valia.

- Obrigado.

O escritório. O homem de plástico.

- Nossa organização está presente em todo o mundo e em todas as mídias, você sabe. Por isso queremos que você escreva para nós.

- Somente escrever?

- Entenda. Temos uma visão do que é melhor para as pessoas. Unimos fins políticos com o poder da espiritualidade. Queremos o melhor para todos. Para isso, temos que fazê-los mudar a maneira de pensar. E é aí que entra você.

Casa. A loira. Um bebê.

- Você não parece muito feliz.

- Não.

- O que está acontecendo com você?

- Não sei. Não tô legal. A gente não ta bem e eu não to feliz pelo que estou fazendo...

- A gente não ta bem faz um bom tempo...

- É... Acho que vou sair da organização.

Escritório.

- Você não pode sair. Sabe disso.

- Eu não vou ajudar vocês com isso mais! Não é certo!

- Olha. Detesto ter que fazer isso, mas você não me deixa escolha. Isso é mais importante do que você imagina. Mais importante que sua mulher e seu filho.

Ele parece não acreditar no que ouve.

Rua. Noite. Chuva. Ele olha pela janela. A loira e o bebê. Triste por ter que ir embora. “Melhor assim”.

Apartamento. Depressão. Desde que saiu da organização e ficou sozinho, as imagens passaram a ser mais intensas e cruéis. “Melhor dar uma volta.” Pegou um livro. “1984”. Saiu.

Trem. Ela. A ruiva. Paixão.

Apartamento. Melancolia. Ela na cama, ele na sala.

- O que houve?

- Nada.

- Não está feliz? Está fazendo o que gosta... Com quem gosta...

- Algo está errado. Não sei dizer o que é.

Chuva. Ele no bar. Um velho calvo de óculos se aproxima.

- Difícil, né?

- O quê?

- Elas te consomem. Você tenta encontrar um fim para elas, já que não pode se livrar, mas não sabe se está dando o fim certo...

- Do que você ta falando? Quem é você?

- Ah, eu já fui chamado de mágico, louco, irresponsável, neurótico... Mas gostava quando me chamavam pelo nome daquele cantor! “Don't aks me, I don't know..”. Eu já morri, já sumi, já fiquei deprimido assim, como você... Mas isso não importa! Eu sei das imagens, da organização.

- Como? Pensei que fosse secreta.

- Nada é secreto demais...

- E o que eu faço, velho?

- Primeiro, fique longe da televisão. E quando atender ao telefone e ninguém disser nada, desligue imediatamente. É assim que eles te hipnotizaram e ativam seu cérebro para escrever o que eles querem.

- Hahaha. Você é louco, velho!

- É, pode ser. Lembre-se apenas do que eu disse.

O velho caminha para a porta do bar.

- Ah, mais uma coisa. Cuidado com as ruivas.

E se foi, desintegrando-se na noite chuvosa.

Apartamento. Meio bêbado. Ela à espera.

- Por onde você andou?

- Fui pensar um pouco.

Senta-se no sofá.

- Por que não assiste um pouco de tv. Você gosta...

Pegou o controle. O telefone tocou. Parou. Olhou em volta. O sorriso dela, combinado com os cabelos vermelhos o enfeitiçava. “O fim”.

Escritório. O homem de plástico parecia furioso.

- Não adianta. Estou fora!

- É a segunda vez que você faz isso conosco!

- Não to nem aí!

Silêncio.

- Nós a mataremos.

Silêncio.

Apartamento. Corredor. Tiro. Corre. Abre a porta. Ela. Vermelho. Morta. Chora.

Galpão velho. Ele. Insano, confuso, perigoso. Polícia. O doutor.

- Podem levá-lo.

Eles o levam.

Hospital. Paredes esverdeadas. O doutor.

- Você não nos deu outra escolha. Eles acreditam que você a matou. E que teve um colapso. Por isso você está aqui.

Sozinho no quarto. Vozes. “O espelho. Atravesse o espelho!”. Levanta-se. Caminha. O espelho. Vai de encontro a ele. Atravessa.

- Bem-vindo de volta!

“A morena”.

- Acabou. Você está de volta. Não tem mais hipnose. Nem drogas.

- Drogas?

- Eles te drogaram por um bom tempo, para intensificar as imagens. Por isso elas vinham e iam sem rodeios e te deixavam desorientado.

- E ela? Quem a matou? Eu?

- Nope! Ela não está morta. Foi parte de tudo.

- Entendo... E agora?

- Não sei. Você quem decide.

- Havia uma loira. Um filho.

- Hum... Quem sabe um recomeço?

- E o velho...

- Sinto saudades dele...

- Quero saber o que ele fez com esse dom, maldição, sei lá o quê.

- Ele deu um significado maior...

- Então, é isso.

Levantou-se. Caminhou até a porta. Virou-se.

- Obrigado.

- Por nada. Então... O que vai fazer?

- Começar do zero.

E saiu pela porta rua afora.
Monday, September 04, 2006
Um
*escrito em cima de parte de "Suite Sister Mary", do Qüeensryche.
.a música (ignorem o visual,; não achei outro clipe dela) = http://www.youtube.com/watch?v=K0CDgCTOpqE



Ele e o homem de plástico caminham pela rua.
- Nós a mataremos. Se você não continuar conosco.
- Ela? Não. Vocês não...
- Não temos outra escolha. Você é muito importante para o nosso projeto.
O homem entra num carro de luxo e vai embora.
Chuva. Os sonhos tornam-se mais lúcidos. Desde que parou de tomar os remédios sem que percebecem. Olhava para o teto do quarto esverdeado. Pensava no cd que havia ouvido. Lembrou que um enfermeiro entrou na hora e levou o cd-player antes que pudesse terminar. Mas isso já não importava mais. Sabia que havia algo errado e que teria que descobrir o que era. "A morena. Preciso encontrar a morena!"
Determinado, levantou-se e foi até a janela. Com um pouco de força, conseguiu quebrar a fechadura. Térreo. Pulou para fora. Correu pelos jardins verdes e sombrios daquela clínica. Chegou ao muro. Subiu numa árvore e pulou. Rua. "Livre! Livre?" Correu e correu. Junto com a chuva, pensamentos e imagens desaguavam em sua mente.
A última briga com a loira. Um homem escrevendo. "Eu?" Uma conferência de homens importantes. O ódio. "2 minutos de ódio." Viu-se num quarto sujo de pensão. O fim do poço. Uma ruiva. "Ela." Paixão. O homem volta a escrever. O peso da consciência. O doutor. O líder. Ameaça. Um corpo e o vermelho. Dor. A culpa. Fuga. Correndo de si mesmo. Loucura. Viu-se sendo levado. Pílulas azuis. O Doutor. "Wheels of confusion" no rádio. Ilusões, sonhos. O quarto verde. Roupas verdes. A morena. O cd. A luz.
Parou, no meio da rua. A chuva insistindo em diluir seus pensamentos. Estava sóbrio.
- Eu me lembro agora.
Caminhava pelas ruas. Roupa diferente. "Isso não é real? Outro sonho?" Ainda havia chuva, mas não se importava. Sempre que perdia tudo essas coisas pareciam não importar mais. Adorava andar pelas ruas. "Elas são minhas", costumava pensar. Parou diante da porta velha daquele prédio velho. Número 13. "É aqui." Entrou.
A ruiva parecia enfeitiçá-lo. Fazia tudo por ela. Voltou a escrever, mas não estava feliz. Era totalmente apaixonado por ela. "Será ela por mim também?" Não sabia se era certo, mas adorava estar com ela. Mesmo que tivesse que escrever para isso. Pensou nisso enquanto andava pelos corredores do prédio novo e frio com os novos textos na mão. Entrou na sala do chefe. Ela. "Por que sinto que fui enganado?" Silêncio.
- Boa noite, sonhador.
Do outro lado da velha porta estava a dona daquela voz. "A morena. Finalmente."
- Eu estava esperando por você. Entre.
A multidão estava realmente animada. Ele foi anunciado. "Nosso novo profeta!", alguém gritou. Atrás de si as bandeiras que tentava não defender. Todos levantaram-se e aplaudiram. Ele era a nova salvação daquele estranho grupo. Vermelho. Havia vermelho por toda parte. Tentou calar a consciência. "Meu filho. Ele está vindo e preciso cuidar bem dele." Festa. Alegria. Todos o adoravam. "Talvez não seja tão ruim assim." Vendeu sua alma.
Da esquina ficou olhando para a janela do apartamento. A loira e seu filho olhavam com ar de tristeza. Foi-se pensando em nunca mais voltar. Sentou-se num bar. Tentava entender onde tudo isso levaria. Parecia lutar pela sanidade cada vez mais e nunca ganhava. "Aquele médico não está resolvendo nada!"
Ela. "Outro sonho". Parecia triste.
- O que houve?
- Nada.
- Sei que houve alguma coisa...
- Eu tô meio deprê, só isso.
- É algo comigo?
- Não. É que as vezes me pedem coisas que não sei se quero fazer.
- Como o quê?
- Esquece.
Fumaça. Neblina. Cego. Tenta caminhar, encontrar uma luz. Acorda. Preso.
- Sabemos que foi você. Confesse!
- O quê?
"Policiais?" Havia uma luz forte em sua cara, difícil dizer. Olhou as roupas. Só conseguiu ler Cia. Kruber Ghran-Brauser. "Não são policiais."
- Por que você a matou?
- Não matei ninguém!
- Queremos que você confesse! Será melhor para você! O que estavam fazendo no parque?
- Quem são vocês? Me deixem em paz!
"Isso não é real! Não é real! Outro sonho!"
- Sempre quis ver você feliz, mas lhe trouxe dor e sofrimento.
Outro lugar. Ela de novo.
- Você não precisa continuar com eles se não quiser. Eu morro pra você se for preciso.
- O que você está dizendo?!
Tentou se lembrar qual era o assunto. Não conseguiu.
- Sei que se sente culpado. Eu sei da ameaça. Eu desapareço e você pode deixá-los novamente. Não precisa se preocupar comigo. Você tem coisas mais importantes para se preocupar.
- Ei! Acorde!
Estava no sofá, cochilando. Olhou em volta. A loira. "Cadê o menino? Nada."
- Nossa, como você dorme. Ainda sonha bastante?
- Aham. Que horas são? Que dia é hoje?
- Sempre perdido... Vamos! Levante-se! Você tem que ir na consulta do médico. Você prometeu!
- Médico?
- Ééé! Pra ver essas imagens na sua cabeça, os sonhos, os devaneios excessivos, lembra-se?
Tentou levantar. Um clarão. "Está acontecendo de novo."
Um tiro. Correu pelo corredor. Algo dizia que havia sido em seu apartamento. Subiu as escadas ofegante e chegou à porta. Abriu. Ela. No chão. Vermelho. "Não! De novo não!" Correu até ela. Ainda viva.
- Me desculpe se te magoei. Nunca foi minha intenção.
- Não fale! Vou buscar ajuda...
- É tarde... Você está livre...
Sentiu que a vida dela estava indo embora. Chorou.
- Tudo minha culpa! Minha culpa!
- Não. Eu sou culpada. Desculpe por destruir sua vida...
Ela tentou chorar, mas se foi. Ele fechou os olhos. Acordou. Hospital. Quarto azul. Roupas azuis. Janela sem grades.
- O que foi que eu fiz? O que foi que eu fiz?
Gritou e chorou. "Um sonho ou lembranças?" Parou. Olhou-se no espelho.
- Ah, doce irmã da dor. Sempre sozinha. Cega você procura pela verdade. Eu me vejo em você. vidas paralelas girando na velocidade da luz pelo tempo.
Piscou. Outro lugar. O velho prédio de número 13. "Ela me falou que andava ouvindo vozes e que para poder dormir sempre tomava algumas doses", cantava alguém de fundo, num rádio. Na mesa uma revista sobre a morte de Oz. Na sua frente a morena.
- Até que enfim voltou!
- Como? Essa é a realidade?
- Nossa! Fizeram um estrago em você mesmo, hein!
- Quem é você?
- A filha do seu salvador. Acho que você nem se lembra dele...
- A que esteve no hospital. Me deu o cd...
- Aham. Eles te hipnotizaram. Ah, isso eu já disse! E pelo jeito você não conseguiu ouvir o cd até o final, mas conseguiu me encontrar. Interessante... Acho que algum efeito teve. Sente-se. Vou te contar o que houve e tentar reverter o que fizeram. Mas enquanto eu falar, terá que olhar para aquele espelho fixamente e tentar não criar imagens na sua cabeça.
Sem entender nada, olhou para o espelho. Esperava finalmente por uma resposta.
Sunday, August 27, 2006
Dois
*escrito inspirado na música "I Don't Believe In Love", do Queensryche.
experimente ler ouvindo-a. ;)
youtube: http://www.youtube.com/watch?v=lx4YLGLXFYA



Ele caminhou lentamente pelo quarto. Procurava por ela. Um corpo estendido no chão. Vermelho. Sangue. Voltou para trás. Saiu do quarto. Uma mulher.
- O que você fez?!
- Nãããooo!
Acorda. Paredes azuis. Roupas azuis. Grades nas janelas. Velho. Ele levanta-se e caminha até o espelho. Parece bem mais sereno que antes.
- Eu me lembro agora.
Tentava ler um livro no trem. "1984". Não conseguia se concentrar. Fazia tempo que estava assim e estava cada vez mais insuportável manter ligado àquela dolorosa realidade. Sem mulher, sem filho, sozinho e falido. Tentava não pensar. Ler. "1984". Varreu o trem com os olhos. Pessoas. Vidas. Ela. Cabelos vermelhos.
- Legal esse livro.
- Oi? Ah, sim. Tô tentando ler, mas tá difícil...
- Ai, desculpa. Não queria atrapalhar.
- Hein? Haha. Não, não é isso. Eu tenho dificuldade de me concentrar. Minha cabeça é uma verdadeira bagunça inconsequente.
- Todos nós somos inconsequentes e meio perdidos de vez em quando.
Gostou dela.
Cena do crime. "Morta. Ela está morta! Quem fez isso? Quem me tirou isso? Não, não fui eu!" Desespero e dor.
Tentavam conversar a duas horas. Sem acordo. Parece que realmente havia terminado. O garoto divertia-se com o triciclo.
- Você pode vir vê-lo quando quiser. Afinal, é seu filho também.
- É só até eu por minha cabeça no lugar, entende?
- Parece que realmente você se tornou outra pessoa. Não te reconheço mais.
- Não ache que não está sendo difícil pra mim também.
- Queria poder te ajudar. Mas só você pode mudar isso.
Olhou nos olhos perdidos dele.
- Sempre estarei aqui. Ainda te amo.
- Não sei se ainda acredito em amor....
Correu pelos corredores do prédio até conseguir sair. Precisava de ar. "O que está acontecendo?" Chuva. Correu até onde dava e parou. Parou debaixo da chuva. "Preciso de redenção." Imagens em sua mente. Não sabia mais o que era real ou não. Caminhou pela chuva. "Exílio." E sumiu no horizonte escuro daquela noite confusa...
Eles pareciam realmente felizes. Mas algo o incomodava.
- Foi maravilhoso ter conhecido você.
A loira sorriu.
- Também adorei conhecer você.
- Sabe, é legal nós casarmos, termos nossa família... Mas eu não sei se estou preparado. Minha cabeça anda meio confusa.
- Como assim?
- Essas imagens, essas idéias, histórias... Às vezes elas me consomem.
- Por que não procura ajuda?
A ruiva. Parecia que uma nova vida estava começando e então isso. Ela morre. Ele foge. Ele chora. É difícil perder alguém de quem se gosta sem dizer adeus. E a chuva ainda insistia em cair. Continuou caminhando rumo ao seu exílio, onde pensaria melhor no que estava acontecendo.
Acordou.
Paredes verdes. Claras. Janelas sem grades. Um hospital.
- Você realmente está me dando trabalho!
O doutor. Juntou as mãos. "Essa era a realidade?"
- Estou tentando te ajudar, mas parece que você não quer aceitar a realidade.
- Eu não sei nem o que realmente está acontecendo...
"Talvez isso também seja um sonho."
- Você cria ilusões e acha que são reais. Já disso isso. Mas se você continuar tentando escapar terei que ser mais persuasivo!
- Eu não vou mais ajudar você a conseguir o que quer! Já disse!
- O quê?
"O envelope. Preciso abrir quele envelope!"
O doutor fez um sinal. Um enfermeiro entrou e aplicou lhe aplicou uma injeção. Apagou.
Na tv, a apresentadora do jornal falava sobre o fim dos 10 dias de agonia de Oz e sobre o funeral célebre de Easy Eight.A enorme barriga não parecia incomodar a loira tanto quanto aquilo no que pensava. Ele, expressão triste, parecia já saber do que se tratava.
- Você está muito distante...
- Não é você. Esse trabalho novo está acabando comigo e minha cabeça...
- Lá vem você de novo com essa história.
- Você sabe que não é só "história". No começo eu criava minhas histórias e tal, mas agora elas vêem o tempo todo e não sei se estou sonhando ou acordado...
O homem de aparência de plástico não parecia nada satisfeito com aquela decisão.
- Não me olhe assim. Não posso mais fazer isso! Não vou mais ajudar você a conseguir o que quer! Está acabando comigo!
- E a nossa organização? Nossa ideologia?
- Já disse que não acredito no mesmo que vocês!
- E quem te ajudará?
- Como?
- Você sabe se esse momento é real ou não?
Entrou e sentou-se diante do médico. Era a quarta consulta, já.
- Como tem passado?
- Continuo mal. As fantasias parecem tomar cada vez mais espaço...
- Hum... Você sabe que tem um talento extraordinário, não sabe?
- Como assim? Não é uma doença?
- Não veja assim. Posso te ajudar e ainda conseguir um trabalho pra você.
- Preciso ficar bom. Vou me casar, sabe? Faço o que o senhor quiser.
O médico juntou as mãos.
- Já ouviu falar de nossa organização?
Ele realmente parecia feliz com a ruiva. Havia passado algumas semanas desde o encontro no trem. Poderia estar amando novamente?
- Você está me fazendo ter vontade de viver e melhorar, novamente!
- Hahaha. Não fale assim. Ei! Porque você não volta a escrever?
- Não sei. Eu parei exatamente por causa do que estava acontecendo... Perdi tudo, você sabe!
- Talvez você estivesse evitando ser quem você é.
- Como assim?
- Se viver no mundo de fantasia te faz feliz, por que fugir dele? Dane-se os outros! Eu gosto de você assim.
Olhou nos olhos dela.
- Você me impressiona cada vez mais, sabia?
- Volte a escrever para aquela organização da qual falou. Eles precisam de você...
Acordou. Ainda no hospital. Caminhou até a mesa. O envelope. Abriu. Um mini-cd. Olhou pelo quarto. Um cd-player. Botou o disco pra tocar. Uma voz feminina. "A morena".
- Você foi hipnotizado e esse é um cd que poderá ajudá-lo a quebrar a hipnose. Por favor, sente-se e tente relaxar. Tente não pensar em nada...



*logo log as imagens do blog voltam! =)

Novidade: Oz agora tem flog! Hehe
http://www.fotolog.com/mad_oz/
Monday, August 21, 2006
Três
*experimente ler esse post ouvindo Eyes of the Strange, do Qüeenryche.
esse post foi feito inspirado pela música e pelo cd de onde ela vem.
youtube: http://www.youtube.com/watch?v=FXSdLnHr_80&mode=related&search=


Um homem grita de um dos quartos de um hospital psiquiátrico. A enfermeira chama por um médico pelo auto-falante. No quarto, o homem, agitado, grita e tem que ser segurado e medicado.
- Não, vocês não entendem! Eu preciso sair, preciso atravessar o espelho!
O homem é sedado e cai num estado vegetativo. Começa a imergir em seus sonhos e pensamentos, sem saber realmente do que se trata cada coisa que lhe vem à mente.
Agora caminha por estranhas, sombrias e frias ruas urbanas. Totalmente longe da multidão em pensamentos, ele pensa nela. O ar de tristeza em sua face parece revelar péssimas lembranças. Sozinho, chega a um antigo prédio de apartamentos. Sobe e entra em seu pequeno e semi-destruído refúgio.
Vai até a cozinha, abre a geladeira. Só lixo. Abre uma cerveja e senta-se na sala. Pela janela, vê o apartamento do vizinho e a tv ligada. Corre até a janela e fecha as cortinas. Parece assustado, inquieto. Vai até o banheiro encardido e lava o rosto. Olha-se no espelho. Deita-se na cama e tenta dormir. Fecha os olhos. Sonhos.
O rosto de uma mulher, um quarto cheio de papéis, sangue no chão, uma casa em chamas, um homem com cabeça de elefante, ursos de pelúcia gigantes caminhando pela cidade, um médico, um laboratório, um tiro, um homem correndo, um olho feminino.
Ele acorda assustado. Está no meio de uma praça. Muitas pessoas em volta. Olhando, estranhando, sem entender nada. Mas ele entende menos ainda... "O que estou fazendo aqui? Como vim parar aqui?" Perdido sem saber o que aconteceu, ele corre pela ruas amargas. Roupas diferentes. "Não é possível! Eu estava em casa agora mesmo!"
O homem entra num beco. Tenta entender o que está acontecendo. Vê um jornal no chão. "Oz fica louco com o fim do Mundo" é a noticia. Pega e tenta ler, mas apaga novamente.
Acorda num quarto de hospital. Ao menos acha que é um hospital. Mãos presas. Uma camisa de força. Grita. Enfermeiros entram e tentam acalmá-lo.
- Não, vocês não entendem!
- Chame o médico, depressa! - grita uma enfermeira para a outra.
- Eu preciso sair! Preciso atravessar o espelho!
- Calma, por favor!
- As pessoas acham que eu sou louco, mas eu realmente estou no mundo errado!
- O sedativo! O sedativo!
- Vocês estão me prendendo dentro de mim mesmo!
Uma injeção. Tonto, confuso, escuro.
Uma trilha deserta por uma floresta de ilusões. Ele caminha, olha em volta. Sente que está sendo vigiado, mas não sabe exatamente por quem. Entristesse por estar nesta situação. Gostaria que fosse diferente. Tenta manter a lucidez e acreditar aque aquilo é apenas um sonho. Caminha e caminha. Corre! Acorda!
Ainda no quarto do tal hospital. Não! É outro! Roupas diferentes, sem camisa de força. Um homem sentado à sua frente o analiza. "Ajuda. Preciso pedir ajuda".
- O que está acontecendo comigo? Onde estou?
- Agora? No mundo real.
"Mentira!"
- Eu preciso acabar com isso. Quero ser feliz e normal!
- Impossível! Você sabe disso.
"Verdade?"
- A verdade! Eu quero a verdade!
- A verdade que nós aceitamos ou a verdade que você quer aceitar?
- Tudo que quero é saber o que está acontecendo e por que...
Silêncio.
- Vocês está sob tratamento. Esquizofrenia. Vive num mundo criado por você mesmo.
- As imagens na minha cabeça são falsas?
- Sim. A não ser esta.
O homem sai do quarto. Ele fica pensando e tenta entender... Uma enfermeira entra.
- Mais remédios?
- Xiu! Olha, pega esse envelope. Tenho que ir...
- Ei! Que isso? Quem é você? Outra ilusão?
Ela para e olha pra ele.
- Nem todas as imagens em sua cabeça são ilusões.
Sai e fecha a porta.
Friday, August 11, 2006
?

Falling Off the Edge Of The World (Black Sabbath)

I think about closing the door
And lately I think of it more
I'm living well out of my time
I feel like I'm losing my mind
I should be at the table round
A servant of the crown
The keeper of the sign
To sparkle and to shine
Never, no never again
Listen to me and believe what I say if you can
Never, this is the end
You know I've seen the faces of doom
And I'm only a man
Help me, tell me I'm sane
I feel a change in the earth
In the wind and the rain
Save me, oh take me away
You know I've seen some creatures from hell
And I've heard what they say
I've got to be strong
Oh, I'm falling off the edge of the world
Uh - Think you're safe, but you're wrong
We are falling off the edge of the world
Look out there's danger
Nowhere to run
It seems like desperate measures but sometimes
It’s gotta be done
Over, it's over at last
And a message's inside
As we build a new life from the past
We're falling off the edge of the world
Yes, the edge of the world
It's the end of the world




*veja: http://www.youtube.com/watch?v=TR9DKaH1rlY

.nada mais faz sentido =/